Por Marcelo Brenner, da Buddys.

Pense no motivo pelo qual você frequentava a escola quando adolescente. Muitos irão dizer que eram obrigados pelos pais, outros que gostavam de ir por causa dos amigos, ou ainda porque realmente se interessavam em aprender os conteúdos presentes na grade escolar.

Estudei todo meu ensino fundamental em escola pública, minhas notas na maioria das vezes eram excelentes, vez ou outra ao final do trimestre, até recebia um reconhecimento de aluno destaque. No entanto, essa história bonita de amor à escola, não durou muito tempo.

Na medida que os anos se passavam e o ensino médio se aproximava, muitas coisas já não faziam tanto sentido, entrei numa rotina, na qual aprendi que o único, ou o principal, desafio era não repetir de ano. Esse pensamento era algo natural, e pelo menos 80% da minha turma, pensava da mesma forma. O foco não estava em crescimento, desenvolvimento ou propósito, mas sim no que deveria ser feito para atingir os 60 pontos para a aprovação, estávamos dispostos a fazer qualquer coisa para isso. Era a “lei da sobrevivência”.

Sistema importante e incoerente

A escola tem um papel altamente relevante para o desenvolvimento e, indo um pouco mais além, na formação do caráter de uma criança. Afinal, é nela que passamos cerca de 8 mil horas — considerando apenas o ensino fundamental — exatamente na fase de construção moral e intelectual. Ou seja, a responsabilidade de nossas instituições de ensino é muito grande, não coloco em discussão o fato de que os filhos também devem ser educados em casa. É nas escolas que a sociedade tem, ou deveria ter, poder de influência.

Certa definição diz que, a educação vai se formando através de situações presenciadas e experiências vividas ao longo da nossa vida. Refletindo um pouco nisso, comecei a entender o motivo pelo qual eu e meus colegas, em dados momentos, buscávamos apenas a nota média, o problemas não estava somente conosco. Ficou mais claro que a rotina realmente pode influenciar na forma pela qual encaramos a educação. Perceba, estamos falando de 8 mil horas aprendendo matérias como matemática, português e geografia, repetidas vezes, ano após ano — existem excessões, mas me refiro a maioria das escolas. Seria isso, pelo menos, questionável?

Sim, é questionável. Preparar as crianças, adolescentes e jovens para o futuro, é o principal dever das escolas. Partindo deste pressuposto, entendo que não faz sentido utilizar todo o tempo com grades similares, ano a ano. Estamos treinando nossas crianças para fazerem provas, trabalhos e para casas em troca de pontos. Ou seja, devem seguir uma série de comandos previamente definidos, para que, então, recebam suas recompensas num formato de boletim. Quanto mais você acerta — exatamente o que está escrito no cartão resposta do professor — mais você ganha.

Autonomia, domínio próprio, resolução de problemas não exatos, inteligência emocional, que são habilidades que a “escola da vida” também exige — e muito! Passam longe da maioria das nossas instituições.

Fique alguns minutos ao lado uma criança de 5 anos, e perceberá a curiosidade e a criatividade, natural dela. Esses traços deveriam ser estimulados a cada ano nas escola, mas — quase que imperceptivelmente — são reduzidos, assim como a quantidade de lápis de cor nos estojos das crianças

ONU e outras iniciativas que propõem mudanças para este cenário

A ONU lançou a Agenda 2030 com 17 objetivos para transformar nosso mundo. O objetivo de número 4, refere-se a educação e propõe 10 maneiras para assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos. Analisando cada um dos objetivos, chamou-me a atenção a presença de palavras, como “aprendizagem relevante e eficaz”, “empreendedorismo”, “habilidades de relevância”. Senti falta de algumas outras, mas é importante saber que já existe uma atenção e metas mundiais, para melhorar a qualidade da educação, por meio da inserção de outras habilidades de substancial relevância.

Existem iniciativas aqui no Brasil que trazem uma série de dicas e aplicações para a sala de aula, como Porvir e Educação Criativa. Lá, educadores podem encontrar conteúdos que auxiliam nessa missão de dar mais sentido ao tempo escolar. Além disso, um exemplo de assunto fortemente abordado e que vale a pena leitura, é sobre o ensino personalizado — Uma das mais fortes tendências da educação hoje.

Perceba que há muitos pontos que podem ser questionados, em relação às escolas. O professor não é o problema de toda essas história, entretanto estão inseridos num sistema que após séculos pouco mudou. Cada um deles pode ser a solução para sua própria sala de aula, basta levar novidade, estimular a criatividade e romper com a rotina. Já é um bom primeiro passo.

Marcelo Brenner é CMO da Buddys, primeira escola de programação e robótica de Belo Horizonte que utiliza métodos inovadores de ensino trabalhando a criatividade para entender e explorar o potencial da tecnologia

Referências:

http://porvir.org/especiais/personalizacao/ http://centrowhite.org.br/files/ebooks/egw/Mente,%20Car%C3%A1ter%20e%20Personalidade%201.pdf https://www.significados.com.br/educacao/                                                                   https://nacoesunidas.org/pos2015/

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